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terça-feira, 21 de maio de 2013

Que lugar é esse?

   Onde estou? Está tudo tão escuro. Me levanto para saber onde estou, mas não enxergo nada, está um breu só por aqui. Mas o que seria aquela luz lá ao fundo? Chego mais perto, mas a minha visão ainda turva não identifica o que seria aquilo. Me parece uma vela no chão. Sua luz ilumina meu rosto pálido e minhas mãos trêmulas. Essa luz fraca parece inútil, mas me traz calma, agora eu sei por onde andarei.
   Sigo em frente e encontro uma parede branca. Está áspera como uma lixa, mas vou seguir por ela para ver onde vai dar. Dou poucos passos à direita e vou ao encontro de mais uma parede. Volto e vou para a esquerda agora, mas não dou muitos passos novamente e encontro outra parede. Decido acompanhar dessa vez os limites. Mas é estranho, novamente dou poucos passos e chego ao limite. Até parece que as paredes vieram do nada, afinal, eu corri muito para chegar onde estou e de repente me encontro em um cômodo pequeno e sem portas. O que me intriga mais é a luz da vela que está ficando mais forte, iluminando tudo à minha volta.
   O quarto está claustrofóbico, com alguns arranhões e manchas nas paredes. No centro há um pote aparentemente vazio. Deixo a vela no chão e pego o pote. Parece comum, mas sinto algo estranho, ele parece vibrar em minhas mãos como se estivesse vivo. Abro-o e dele sai pequenas borboletas, de todas as cores imagináveis, cores foscas e brilhantes. Elas crescem e começam a voar ao meu redor em sentido horário. São muitas, não consigo nem sequer contar. Elas me envolvem em uma dança, me perco no meio delas.
   Quando menos espero, vejo-as subindo ao céu azul, o quarto sumira e eu... Onde estou? Parece um campo aberto. Vejo uma árvore grande a meia distância. O pasto segue até o fim do horizonte, onde o céu e a terra eternamente se beijam. A vela não é mais necessária, deixo-a na grama e começo a caminhar.
   Avisto alguém vindo ao meu encontro, parece alguém que conheço, alguém com quem não falo há tempos. Ela passa direto por mim, como se eu não existisse. Começo a olhar mais atentamente ao meu redor e vejo que não é só ela, mas várias pessoas com quem já confiei e hoje não sei nem onde estão. Amigos, melhores amigos, simples colegas. Convivi com muitas pessoas e reencontro-as hoje como se fossem meros zumbis. Namoradas, familiares que já se foram, mas agora os vejo como se não tivessem alma, apenas vagassem sem rumo com seus corpos.
   Quantas histórias de amor, quanto romance, quantas aventuras e brincadeiras estão vagando por aqui. Estaria eu perdido em minhas memórias? Se assim for, posso simplesmente escolher viver aqui e procurar recuperar tais momentos felizes e tristes? Posso. Do mesmo modo que posso tentar fugir daqui e mandar mais pessoas para este cemitério, querendo ou não, e criar novas experiências, novos momentos felizes, novos momentos tristes.
   Escolho viver. Saio pelo campo a procura da saída. As pessoas começam a aglomerar-se ao meu redor, dificultando meu caminhar, até que eu encontro uma escada que vai até uma pequena porta no céu. Subo e volto a viver. Me encontro no meu quarto, deitado em minha cama olhando para o teto.
   Teria sido tudo um sonho? Não pode ser, era tudo tão real. Os toques, os cheiros, os sons. Mesmo assim, quero me convencer de ter sido um sonho. Mas o que é isso que está sob mim na cama. São fotos. Fotos de todos aqueles que deixei para trás na estrada da vida. Agora eu vejo que fora tudo real sim, não um mero sonho, mas uma realidade onde eu tive a oportunidade de viver com as fotos ou viver e tirar novas fotos.
   Memória, fotos e lembranças, tudo o que restou de um passado que não me arrependo de ter vivido, não me arrependo de ter deixado para trás.

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